Princípio da Criatividade
Na capoeira podemos estimular essa qualidade, utilizando o corpo e a música.
Na música, é essencial que se usem instrumentos apropriados aos pequenos e que se toquem música ao vivo durante as aulas. O fazer musical, por parte das crianças, deve ser iniciado de uma forma espontânea, despadronizada, baseada na pesquisa sonora improvisada. Posteriormente, pode-se seguir em frente para o ensino de padrões musicais específicos da capoeira, desenvolvendo conceitos musicais básicos, como intensidade, timbre, altura etc.
O corpo, seguindo a tradição africana, deve ser trabalhado simultaneamente ao aprendizado da técnica dos instrumentos musicais da capoeira, ou seja, devemos pensar musicalmente com o corpo. Para as crianças a partir de sete anos, sugerimos aos professores o estudo do método O Passo .
No ensino de movimentos, deve-se seguir o princípio do falar o que fazer, ao invés de mostrar como fazer. Em lugar de ensinar seqüências e movimentos fixos, devemos nos ater em fornecer modelos e regras gerais, a partir dos quais cada criança pode desenvolver, de forma autônoma, a sua própria interpretação da Capoeira.
Mensagens amplas, como: “passar o pé”, “passar por baixo”, “rodar” são interpretadas de maneira muito pessoal, auxiliando no desenvolvimento de um repertório corporal individual. Dessa forma, a cada aula, um golpe como o rabo-de-arraia pode ser “inventado”, “descoberto”, por uma criança.
Sugerimos a leitura da obra de Peter Slade sobre o Jogo Dramático Infantil.
A autonomia deve ser o fim de qualquer trabalho educativo e o ensino da capoeira deve ser uma ferramenta para a construção desta autonomia.
A criatividade é, por um lado, resultado da autonomia, e por outro, condição imprescindível para a construção de conhecimentos significativos por parte dos educandos.